sábado, 9 de agosto de 2014

Entre a Distribuição de Renda e a Distribuição de Riqueza


Fonte: Folha de S. Paulo
Não se pode falar 
em distribuição de renda
sem mencionar
a distribuição de riqueza. 



Vejo entrevistas na televisão, notícias, etc., sobre a situação da economia no Brasil, e noto uma coisa: fala-se muito na necessidade de uma distribuição de renda mais justa. Claro que isto é importante, mas fala-se pouco em algo que me parece mais importante: uma distribuição de riqueza mais justa. Muita gente - inclusive economistas renomados - comete o erro de tratar as as duas coisas como se fossem a mesma coisa, mas as diferenças são óbvias.
A distribuição de renda é a forma como a receita obtida pelo país é distribuída entre a população com base no maior salário disponível à maior porcentagem possível da população. Isto com certeza merece destaque devido às enormes desigualdades sociais e econômicas que ainda persistem. Houve uma pequena recuperação do salário mínimo e um pequeno crescimento no índice de empregos com carteira assinada - ou, como alguns preferem dizer: empregos formais - mas obviamente a distribuição de renda ainda está longe de ser satisfatória. 
No entanto, se a distribuição de renda não é satisfatória, a de riqueza também não tem como ser. A distribuição de riqueza se diferencia da distribuição de renda por se basear na comparação de riquezas de vários membros de uma sociedade (neste caso, da sociedade brasileira). Enquanto a distribuição de renda se refere à distribuição de posses de recursos da sociedade, a de riquezas visa os lucros adquiridos pela mesma sociedade. O cálculo da renda por pessoa (renda per capita) ajuda a conhecer o grau de desenvolvimento econômico do país, mas é o cálculo da distribuição de riqueza que ajuda a medir a capacidade de acesso das pessoas a serviços básicos como saúde, educação, etc. Portanto, ajuda também a medir o grau de pobreza. Estes são detalhes que ninguém precisa ser um economista para saber e que não podem ser negligenciados nas discussões e nos debates sobre economia.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Dias paralisados por causa da Copa causam prejuízos ao setor automobilístico.

A Anfavea não está nada otimista
e prevê uma queda de 10% para este ano
em relação a 2013. 

A queda 
no primeiro semestre
fez a Anfavea 
rever suas perspectivas 
para a produção no ano. 

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que, de 1.º de janeiro a 30 de junho deste ano, cerca de 1.880.000 (1 milhão e 880 mil) veículos automotores, incluindo automóveis, utilitários, caminhões e ônibus. Isto representou uma queda de 16,8% em relação à produção obtida no primeiro semestre de 2013. A queda foi tão significativa que a própria Anfavea, que antes previa um aumento de 1,4%, agora prevê uma queda de 10% na produção de 2014 em relação à de 2013.
De acordo com os novos cálculos da associação, este ano deverão ser fabricados no Brasil 3.340.000 (três milhões e 340 mil) veículos. Com isto, a previsão quanto aos lucros com vendas é de que haja em 2014 uma queda de aproximadamente cinco por cento em relação às vendas de 2013. No primeiro semestre os lucros com as vendas caíram 7,6% em relação aos obtidos no primeiro semestre do ano passado.
Segundo a Anfavea, dois fatores contribuíram para isto: a queda nas exportações para a Argentina, principal destino dos veículos fabricados no Brasil para o comércio internacional, e devido às paralisações das atividades nos dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Com as paralisações por causa dos jogos, saíram das fábricas apenas 215.934 veículos em junho, o que representou uma queda de 33,3% em relação a junho de 2013 e de 23,3% em relação a maio deste ano. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse que isto ocorreu porque, devido aos jogos na Copa, houve 17 dias sem produção. Moan espera que o desempenho no segundo semestre seja um pouco melhor por causa de um acordo assinado com a Argentina, que poderá pelo menos diminuir as perdas. Para ele, a manutenção na redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) poderá ajudar a não piorar o problema, mas não será o suficiente. Em outras palavras: será difícil tirar o setor "do vermelho" em 2014.

Fontes: 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Relação Atual Entre a Economia de Mercado e a Natureza Humana

Peter A. Ubel 
diz que 
não nos conhecemos tão bem como imaginamos 
e isto nos faz tomar decisões erradas. 

Alguns especialistas chamam de "economia de livre mercado". Outros, de "economia de mercado". Outros ainda, de "sistema de livre iniciativa". Seja qual for o nome que se dê, o mais importante é saber que é um sistema em que os agentes econômicos atuam com poucas intervenções dos governos ou totalmente sem elas. Dependendo obviamente de cada caso, um agente econômico pode ser uma pessoa, uma família, um Estado (governo), qualquer tipo de entidade capaz de tomar uma decisão econômica. Cabe ao agente econômico resolver problemas de otimização. Se for uma família, a maximização da utilidade. Se for uma empresa, a maximização do lucro. Se for um Estado, a maximização do bem estar da população.
Os dois tipos básicos de agentes econômicos são os consumidores e os produtores. O consumidor fornece a mão de obra como fonte de seu rendimento para consumir bens e serviços. O produtor precisa gerar emprego para comprar a força de trabalho e de capital necessária para produzir esses bens e serviços e disponibilizá-los no mercado. Isto se chama "microeconomia". Na macroeconomia, os agentes podem ser famílias, empresas, bancos centrais, etc., que podem ser definidos a partir de agregados econômicos ou de um agente representativo, que pode ser, por exemplo, uma família da classe média, uma pessoa que represente uma determinada categoria de profissionais, uma empresa que represente organizações que atuam numa determinada atividade, etc. 
Quanto à agregação econômica, há uma dificuldade imposta pelas frequentes reações de agregados quanto a medidas menos agregadas. Por exemplo, a relação tomates/alimentos em geral, nível de preços/Produto Interno Bruto (PIB), etc. Isto torna necessário o uso de uma coisa muito importante: a sensatez. O problema é que a sensatez é uma coisa que nem sempre as pessoas tem mas todas as pessoas sempre pensam que tem. Eis aí um elemento complicador para a relação entre a economia de mercado e a natureza humana. Para analisar a questão, entra em campo um médico.
Peter A. Ubel é um médico pesquisador da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e fundador do Conselho de Saúde Global do Fórum Econômico Mundial. Contribui com publicações científicas no "New York Times" e é autor de um livro que já se encontra entre os mais vendidos no mundo: "Loucura do Mercado Livre". Ele diz que não é contra nem a favor do mercado livre, mas que é necessário que as pessoas saibam o que acontece "quando a mão invisível se encontra com o cérebro inconsciente". Para ele, muitas teorias da economia se baseiam na visão de que as pessoas são motivadas por interesses próprios e racionais para tomar decisões que, guiadas pela "mão invisível", causam sensações de felicidade e bem estar.
O que ele chama de "mão invisível" é a influência causada pela propaganda e pelo marketing. É essa forma que faz uma mulher querer um vestido igual ao que uma atriz estava usando na cena de uma novela. É o desejo do jovem ter uma motocicleta como a que ele viu num filme, numa novela ou numa propaganda comercial. Além de médico, Peter Ubel é psicólogo com especialização nessas relações. Como tal, ele diz que os seres humanos não são inteiramente racionais, e considera como prova disso essa força que nos influencia nessas decisões. Seus 15 anos de estudos nessa área o fizeram concluir sobre os grandes riscos nos mercados irrestritos, e o tempo exige restrições.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Tenção na Ucrânia e Problemas na Economia da China Causaram Queda no Mercado de Ações do Brasil

As tenções na Ucrânia
fizeram o Bovespa registrar
uma queda de 1.07% por cento.
O índice negativo
foi fortemente influenciado
pela queda 
das ações da Vale.







O Ibovespa fechou esta quarta-feira registrando uma queda de 1,07%, a 46.589 pontos. O índice foi pressionado pelo resultado negativo das ações da Vale, que tiveram uma queda de mais de 3 por cento. Agravada pelo feriado de Carnaval, a situação no mercado de ações brasileiro reflete com a situação econômica da China e a tensão na Ucrânia. O giro financeiro do pregão foi de R$ 3,98 bilhões.
Esta foi a maior desvalorização das ações preferenciais da Vale nos últimos dois meses. A queda de 3,27% foi causada pelo preço do minério de ferro no mercado asiático. Os preços da "commodity" (conjunto de produtos e serviços cujas demandas não atendem à diferenciação de qualidade dos mesmos no conjunto dos mercados, entre vários fornecedores e entre marcas) caíram para o nível mais baixo desde o final de junho de 2013. Isto foi causado principalmente pela demanda menor da China, que é o maior consumidor global. 
Segundo a agência de notícias Reuters, o operador de renda variável Luiz Roberto Monteiro, da Renascença DTVM, disse que foi anunciado na China que a meta para o o crescimento econômico daquele país para 2014 ficou no mesmo patamar da que havia sido prevista para o ano passado. A China prometeu combater fortemente poluição e reduzir o ritmo de investimentos para buscar uma expansão mais sustentável. O primeiro-ministro Li Kekiang anunciou que a meta de crescimento econômico para este ano é de 7,5%.
Também por causa do desempenho da economia chinesa e dos problemas na Ucrânia, os papéis da Bradespar, que tem participação na Vale, e de siderúrgicas produtoras de minério de ferro recuaram muito. O recuo mais acentuado foi o do caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cujo balanço trimestral desagradou o mercado na sexta-feira passada. Os ADRs (*) do Brasil tiveram uma queda de 2% na segunda-feira passada, tiveram uma pequena recuperação no dia seguinte, mas esta não foi suficiente para recuperar as perdas. 

(*) "American Depositary Receipt" ("Recibo Depositário Americano" em inglês). O ADR é um recibo de  ações de empresas de fora dos Estados Unidos negociadas na Bolsa de Nova Iorque. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Inflação de 2013 no Brasil Foi a Mais Alta Desde 2003

As perspectivas são de que em 2014
as vendas permaneçam no mesmo patamar de 2013.
O resultado comprova que o modelo de crescimento via consumo já está ultrapassado. 





Embora ainda seja o maior destaque da economia nacional, o comércio brasileiro atingiu os níveis mas baixos de vendas e os mais altos de inflação dos últimos dez anos. O crescimento de vendas foi apenas de 4,3%. No ano anterior, foi de 8,4%. O aumento de preços no varejo foi de 7,3%, sendo também o maior nos mesmos 10 anos, segundo a Confederação Nacional de Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Os aumentos de preços ocorreram principalmente entre alimentos e serviços cujos preços não são controlados pelo governo (energia elétrica, por exemplo), e que são muito dependentes da proporção entre a oferta e a demanda. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira passada, revelou que a receita comercial cresceu 22,9% - mais do que o dobro de seu volume, confirmando o alto índice de inflação.
Economistas tem perspectivas de que as vendas deste ano permaneça no mesmo patamar de 2013. Altamiro Carvalho, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), disse que a realização Copa do Mundo no Brasil agravará a situação, já que o comércio não funcionará por pelo menos 15 dias. Isto fará com que a inadimplência cresça menos, mas ainda crescerá. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Os Problemas Causados pelos Juros Compostos

Pague sua dívida 
o mais cedo que poder.
Se tiver mais de uma,
comece amortizando a mais alta. 


Pessoas com limites de cheque especial estourados, dívidas de cartão de crédito ou parcelas de pagamento atrasadas podem até pensar na possibilidade de renegociação. Mas lembrem-se: as instituições financeiras só concedem essa possibilidade porque essas dívidas geram juros muito elevados que quase tornam inviável pagá-las. O problema se avoluma, chega ao extremo de escapar ao seu controle, e você passa a pensar em trabalhar apenas com o propósito de pagar suas dívidas. Porém, quando vai pagar, descobre que o valor quase dobrou. Então você passa a tentar entender o que aconteceu.
O problema é fácil de ser entendido, mas não é tão fácil lidar com ele. Trata-se de um efeito dos juros compostos. O regime de juros compostos é o mais comum no sistema financeiro brasileiro. Segundo economistas, é o mais indicado para cálculos dos problemas do dia-a-dia. O problema é que, por esse sistema, os juros gerados a cada período são incorporados ao juro principal, de modo que no segundo mês o principal se torna igual ao montante do mês anterior e, no terceiro mês, igual ao montante do segundo mês. 
Isto significa que os juros compostos podem fazer seu dinheiro trabalhar em seu favor quando bem utilizados, mas eles podem transformar suas dívidas em algo que você não deve. Quando você perceber que o valor de alguma de suas dívidas está aumentando de forma desproporcional, a única opção que poderá lhe favorecer é você procurar seu credor - isto é, o banco - e renegociar. 
É claro que o banco tem altíssimo interesse em renegociar, pois eles conhecem o poder dos juros compostos. Além disto, o banco tem alto interesse em manter um bom relacionamento com você porque precisa manter seus clientes. 
Lair Ribeiro, especialista em desenvolvimento pessoal e profissional, garante que se você estiver atrelado a uma dívida capitalizada com juros compostos, deve quitá-la o quanto antes. Ele diz também que quem tem várias dívidas deve começar amortizando a mais cara ou mais antiga. Lair, que também é médico, garante que isto é importante até para a saúde física e mental da pessoa.
Como busca para a solução, Lair Ribeiro sugere que a pessoa faça um plano simples, eficaz, que possa ser cumprido com facilidade. "Além de eliminar a dívida, você passa a acumular dinheiro que antes era gasto e agora pode conseguir rendimentos com ele", explica
. 

Fonte: "Organização, Investimento e Conquistas", de Lair Ribeiro - Livros Escala.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Debêntures, Títulos de Crédito, Deveres e Obrigações

Clique sobre a ilustração para vê-la em tamanho maior.
Estas palavras podem constar em documentos
que um dia
talvez você
tenha que assinar. 
Por isto, 
esteja atento 
aos seus significados.




Toda vez que uma pessoa precisa obter financiamentos, surgem algumas dúvidas absolutamente naturais. Afinal, todo financiamento requer muita responsabilidade de todas as partes envolvidas. Palavras muito comuns no vocabulário dos economistas, mas nem tanto entre os leigos, apesar de estarem muito presentes em documentos como contratos, etc., sempre geram dúvidas quanto aos seus significados. Isto causa certa insegurança principalmente entre novos empreendedores.
Realmente, qualquer pessoa que necessite de financiamentos  precisa conhecer bem os significados de palavras e termos como "títulos de crédito", "debêntures", "deveres" e "obrigações". Precisa, por exemplo, saber que "dever" e "obrigação" não são a mesma coisa. O desconhecimento desses conceitos, o o fato de interessado achar que os conhece mas talvez não os conheça (o que agrava a situação), abre um leque muito amplo de problemas graves que poderão ocorrer depois.  Por isto, eis aqui algumas dicas que podem ser muito úteis a pessoas que queiram trabalhar por conta própria, iniciar negócios, adquirir imóveis, comprar um carro, ou que necessite de financiamentos para qualquer que seja a finalidade. 
Muita gente pensa que "debênture" é o mesmo que "título de crédito". Isto já é um erro grave que pode trazer consequências ainda mais graves. O debênture é um tipo específico de título de crédito. O título de crédito é um papel que representa uma obrigação e que tem que ser emitido em total conformidade com as leis vigentes segundo cada caso. Ele é fundamental para garantir os direitos de todos os envolvidos (credor, devedor e financiador) na negociação, mas o debênture é um título de crédito que representa empréstimos que uma empresa faz junto a terceiros para assegurar seus próprios direitos. Em qualquer caso, seja qual for o tipo de título de crédito, é dele que dependem todos os elementos importantes para configurar o crédito, ou seja, para estabelecer a confiança necessária para assegurar o pagamento da dívida dentro de um determinado tempo. Afinal,  todo empréstimo é uma dívida que sempre causa a necessidade de redistribuição de bens financeiros entre o devedor e o credor dentro de um período. Esse período é chamado "serviço de empréstimo".
Isto funciona assim:
O devedor recebe uma quantia em dinheiro do credor.  Essa quantia pode ser dada totalmente no início, como no caso da compra de um apartamento ou uma casa já construída, ou aos poucos (em parcelas), como no caso da aquisição de uma casa a ser construída. No segundo caso, o dinheiro é disponibilizado de acordo com  as fases da construção, isto é, à medida em que for necessário.  O devedor devolve o dinheiro ao credor em prestações regulares. Geralmente - mas nem sempre - esse serviço tem um preço, que é cobrado como juros da dívida. 
Geralmente os empréstimos fornecidos por bancos são financiados por meio de depósitos.  Quando são fornecidos por outros tipos de instituições financeiras, estas costumam recorrer a contratos de dívidas como fontes de financiamento. Entre esses contratos constam as "obrigações", que não são o mesmo que "deveres".  As obrigações ou "direitos de crédito" são normas que regulam as relações de crédito para que se concretize uma prestação.
A diferença entre "obrigação" e "dever" é que a obrigação necessita da sujeição de uma das partes envolvidas no processo, mas o dever apenas se relaciona a uma grande possibilidade da concretização de um determinado comportamento.  O dever é estabelecido pela análise da interação entre toda as partes envolvidas.